O texto da comunicação apresentada pretendeu mapear as temáticas que me pareceram susceptíveis de serem desenvolvidas em investigação que irão (ou estão a) ser pesquisadas no grupo que coordeno. Umas individuais (jogos, sociabilidade em rede ou as comunidades de práticas…). Outras, como os três projectos referidos no texto e retomados pela Elisenda, coordenadora do Grupo, estão a ser desenvolvidos com trabalho empírico. Exporei de forma sintética estes projectos.
1. O ensino da antropologia em ambientes virtuais é um projecto em que estou particularmente interessado e no qual estou a trabalhar. Espero ter os primeiros curso on line no próximo ano e a partir de Fevereiro ou Março uma experiência trabalho virtual com um pequeno grupo de doutorandos. As questões a que estou particularmente atento tem a ver com as mudanças introduzidas com o processo de Bolonha em que se propõe a passagem do ensino/ transmissão para o desenvolvimento de competências e a aprendizagem colaborativa bem como a ideia de uma aprendizagem experiencial em antropologia. Esta parece exigir uma forte ligação da investigação ao ensino. É por aí que temos andado. A especificidade das matérias em causa – Antropologia visual cria em meu entender alguns desafios mas também continuidades em relação ao ensino tradicional da AV. Gostaríamos de encontrar neste fórum parceiros que possam, passado o congresso, desenvolver experiências paralelas ou participar nas experiências que estamos a desenvolver. Uma espécie de ERASMUS virtual. Poderemos voltar a este tema.
2. O Projecto tecnologias digitais e antropologia
O objectivo principal deste projecto foi constatar as alterações que os novos media poderiam trazer para investigação em antropologia. O projecto propunha-se estudar a relação entre a antropologia visual e hipermedia, (a interdiciplinaridade) entre a antropologia e a comunicação e semiótica e o cruzamento de experiências de pesquisa em antropologia visual e Portugal (LABAV) e Hipermedia no Brasil (NUPH).
Cito: “O projecto situa-se na confluência de três eixos do desenvolvimento actual das Ciências Sociais e da Antropologia em particular: da utilização das tecnologias digitais (novos media) na pesquisa qualitativa; dos métodos da antropologia visual (visuais e sonoros) e multimédia/hipermédia na etnografia (método etnográfico) e na antropologia; e das consequências resultantes da introdução de novos paradigmas e novas tecnologias da representação - turbulências na tradição académica, exigências resultantes de uma emergente sociedade do conhecimento, interesse do mercado pelos produtos culturais”
A primeira fase do projecto limitou-se à troca de informação e à formação dos membros dos grupos de pesquisa.
A actualidade deste projecto é a de desenvolver uma experiência empírica a partir de uma temática comum - A Coroação de Reis Congo no Brasil (Jequitibá – Minas Gerais), noutros países da América Latina (Uruguai, Argentina, Cuba) e das referências à realização de um ritual congénere na Europa (Lisboa e Sevilha). O objectivo era a do produção de um hipermedia a partir de uma experiência de terreno e articulando as práticas da antropologia visual e Hipermedia. Este projecto está em andamento.
O futuro do projecto é o de ligação do hipermedia á rede (hipermedia aberto) de modo a permitir atingir dois objectivos: a construção policêntica de saberes (abordagem local do ritual ou da sua memória) e a sua colocação na rede e a utilização destes saberes (localmente construídos – a partir saberes e de culturas académicas locais) na abordagem da interculturalidade afro-atlântica. Existem até agora dois nós (nodos) consistentes em Portugal e no Brasil e indícios de possibilidade de criação de nós (nodos) consistentes em Cuba, na Argentina, Uruguai… Seria interessante o desenvolvimento da ideia em Sevilha (onde o ritual também se realizou) e noutros países da América Latina. Este congresso e este grupo poderá vir a contribuir para formação desta rede e para uma compreensão plural das reconfigurações da cultura africana na Europa, sobretudo na Península Ibérica, e na América Latina.
3. Tecnologias da memoria e narratividade visual digital, incidencia local da cultura global digital.
Formulamos no início deste projecto que “não estamos certos que a cultura e os artefactos digitais tenham produzido ou estejam em vias de produzir profundas mudanças sociais e culturais. Nem sabemos a natureza dessas mudanças. É para nós necessário estudar as representações existentes e simultaneamente criar instrumentos de observação e análise que nos permitam identificar e caracterizar as produções digitais e sobretudo estudar a incidência destas na cultura local”. Neste sentido formulamos os seguintes objectivos:
Estudar a cultura e os artefactos digitais que denominamos cultura global digital constituída por produtos de entretenimento, de formação, de sociabilidade virtual e a incidência local (na cultura local) desta junto de jovens migrantes, estudantes do ensino secundário, estudantes do ensino superior, na própria equipa de pesquisa.
Desenvolvimento de boas práticas de utilização sistemáticas dos media digitais no desenvolvimento da pesquisa (processo científico) – incorporação na pesquisa de dados visuais e sonoros, recolha e tratamento da informação, criação e gestão de base de dados, produção do discurso hipermediático (representação / narrativas visuais digitais) e sua utilização na formação, em terrenos tradicionais da antropologia e em terrenos emergentes (cultura global digital – cultura e artefactos digitais).
Desenvolvimento de uma cultura de grupo (equipa de pesquisa) baseada uma comunidade de prática (Wenger) apoiada e potencializada pela utilização sistemática das tecnologias digitais (investigação e aprendizagem colaborativa mediada pelas tecnologias).
É já longa a resposta á perguntas. Poderemos voltar a elas.
Agradeço os comentários da Elisenda.
|